Nossa gastronomia é muito mais do que uma combinação de ingredientes e comidas típicas do Brasil: ela reúne histórias, tradições, influências indígenas, africanas, europeias e de diversos outros povos que ajudaram a construir a identidade cultural do país.
Em cada região do Brasil, pratos, bebidas e modos de preparo revelam costumes transmitidos entre gerações, preservando saberes que fazem parte da memória e da cultura brasileira.
Viajar pelo Brasil também é descobrir esses sabores! Do tacacá servido em cuias na Amazônia ao acarajé preparado pelas tradicionais baianas de tabuleiro, a culinária se transforma em uma forma de conhecer a história, as pessoas e os costumes de cada destino.
Não por acaso, diversos saberes ligados à gastronomia receberam reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônios culturais brasileiros. Mais do que receitas, esse reconhecimento valoriza técnicas de produção, práticas tradicionais e conhecimentos transmitidos ao longo dos séculos, ajudando a preservar parte importante da identidade do país.
Neste guia, o Clube te leva para conhecer algumas dessas tradições gastronômicas e entender por que elas são consideradas verdadeiros patrimônios da cultura brasileira.
Quando um alimento ou seu modo de preparo é reconhecido como patrimônio cultural, o destaque vai muito além do sabor. O reconhecimento valoriza o conjunto de conhecimentos, técnicas, práticas e tradições que envolvem sua produção e seu consumo, preservando uma herança construída ao longo de gerações.
No Brasil, esse trabalho é realizado pelo IPHAN, responsável por identificar e proteger bens culturais materiais e imateriais que representam a diversidade cultural do país.
No caso da gastronomia, são registrados ofícios, modos de fazer e tradições que ajudam a contar a história das comunidades e fortalecem a identidade de diferentes regiões brasileiras.
Esse reconhecimento também impulsiona o turismo gastronômico, incentivando viajantes a conhecer destinos por meio de seus sabores, ingredientes típicos e experiências culinárias: afinal, experimentar a comida local é uma das formas mais autênticas de mergulhar na cultura de um lugar.


Poucos pratos representam tão bem a identidade da Bahia quanto o acarajé. Muito além da gastronomia, ele simboliza a força da cultura afro-brasileira e das tradições religiosas de matriz africana, sendo um dos maiores ícones culturais do estado.
O reconhecimento do IPHAN aconteceu em 2004 por meio do registro do Ofício das Baianas de Acarajé, valorizando não apenas a receita, mas todo o conhecimento transmitido entre gerações. As tradicionais baianas de tabuleiro mantêm viva uma prática centenária, preservando técnicas de preparo, formas de comercialização e elementos culturais que fazem parte da história brasileira.
Preparado com massa de feijão-fradinho, cebola e sal, frita em azeite de dendê e recheada com vatapá, camarão seco, vinagrete e, para quem gosta, bastante pimenta, o acarajé é presença obrigatória para quem visita cidades como Salvador. Experimentar a receita preparada pelas baianas é uma verdadeira imersão na cultura local.
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Entre os sabores mais marcantes da região Norte, o tacacá ocupa um lugar especial. Originário dos povos indígenas da Amazônia, o prato reúne ingredientes profundamente ligados ao território amazônico e aos conhecimentos tradicionais sobre o uso da mandioca.
Servido em cuias, o tacacá combina tucupi, goma de tapioca, camarão seco e jambu, planta conhecida pela sensação de dormência que provoca na boca. Essa combinação cria uma experiência gastronômica única e muito característica da culinária amazônica.
Embora o prato em si não seja registrado individualmente como patrimônio pelo IPHAN, ele representa um conjunto de saberes tradicionais indígenas relacionados ao cultivo da mandioca e ao preparo de alimentos típicos da região.
Em cidades como Belém e Manaus, experimentar um tacacá faz parte da experiência de conhecer a cultura local.


O Queijo Minas Artesanal é um dos maiores símbolos da gastronomia mineira e brasileira!
Produzido a partir de leite cru, utilizando técnicas passadas entre famílias produtoras ao longo de centenas de anos, ele representa uma tradição profundamente ligada ao interior de Minas Gerais.
O reconhecimento do IPHAN valoriza justamente esse modo artesanal de produção, desenvolvido desde o período colonial e adaptado às características geográficas e climáticas da região. Cada queijo carrega particularidades relacionadas ao clima e às práticas locais.
Atualmente, regiões como a Serra da Canastra, Serro, Araxá e Campo das Vertentes são destinos muito procurados por turistas interessados em conhecer fazendas produtoras, participar de degustações e entender todo o processo de fabricação artesanal.
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Símbolo do Piauí, a cajuína é muito mais do que uma bebida típica. Produzida a partir do suco clarificado do caju, ela faz parte da identidade cultural do estado e está presente em celebrações familiares, encontros sociais e na memória afetiva dos piauienses.
Seu processo de produção é bastante particular: o suco passa por diversas etapas de filtragem antes de ser aquecido em banho-maria dentro das próprias garrafas, adquirindo a coloração dourada característica e um sabor delicadamente adocicado.
Reconhecida pelo IPHAN como patrimônio cultural brasileiro, a cajuína representa o conhecimento tradicional de produtores locais e reforça a importância do caju para a economia e para a cultura nordestina.
Em Teresina, ela é presença obrigatória para quem deseja conhecer os sabores mais autênticos da região.
Poucos ingredientes são tão presentes na culinária brasileira quanto a mandioca.
Consumida há milhares de anos pelos povos indígenas, ela deu origem a diferentes preparos que continuam fazendo parte do dia a dia dos brasileiros.
Entre eles, destaca-se a produção artesanal da farinha de mandioca, realizada em diversas comunidades do Norte e Nordeste. O processo envolve conhecimentos tradicionais sobre o cultivo, a extração, a torra e o beneficiamento da raiz, preservando técnicas transmitidas ao longo de gerações.
Mais do que um acompanhamento, a farinha faz parte da identidade alimentar do Brasil e está presente em receitas como pirão, farofa, beiju e diversos pratos regionais.
O Brasil possui uma das gastronomias mais diversas do mundo. Além dos patrimônios culturais reconhecidos pelo IPHAN, existem dezenas de receitas tradicionais que ajudam a contar a história de cada região e fazem parte da experiência de quem viaja pelo país.
Se você gosta de conhecer um destino também pelos sabores, vale incluir essas especialidades no seu roteiro:
A moqueca capixaba é um dos maiores símbolos da culinária do Espírito Santo. Diferentemente da versão baiana, ela é preparada sem leite de coco e sem azeite de dendê, valorizando ingredientes como peixe fresco, tomate, cebola, coentro e urucum.
O prato é servido na tradicional panela de barro produzida pelas paneleiras de Goiabeiras, cuja técnica de fabricação também é reconhecida como patrimônio cultural brasileiro.
Poucos alimentos representam tanto o Brasil quanto o pão de queijo. Nascido em Minas Gerais durante o período colonial, ele combina polvilho, ovos, leite e queijo mineiro em uma receita simples, mas que conquistou o país inteiro.
Hoje, faz parte do café da manhã, dos lanches da tarde e da rotina de milhões de brasileiros — além de ser uma das primeiras experiências gastronômicas de muitos turistas estrangeiros.
Tradicional da culinária amazônica, o pato no tucupi é um dos pratos mais emblemáticos do Pará.
Preparado com tucupi e jambu, reúne ingredientes típicos da floresta amazônica e costuma ser servido em grandes celebrações, especialmente durante o Círio de Nazaré. Seu sabor marcante faz dele uma das experiências gastronômicas mais autênticas da região Norte.
Muito tradicional no Maranhão, o arroz de cuxá chama atenção pelo sabor levemente ácido, resultado do uso da vinagreira, planta típica da região.
A receita também leva camarão seco, gergelim torrado e farinha de mandioca, tornando-se um dos pratos mais característicos da culinária maranhense.
Outra grande estrela da culinária baiana, o bobó de camarão combina mandioca, leite de coco, azeite de dendê e camarões frescos, resultando em um prato cremoso e cheio de personalidade.
Assim como o acarajé, ele reflete a forte influência africana na gastronomia da Bahia e costuma fazer sucesso entre turistas que visitam o estado.
Viajar também é experimentar novos sabores. Isso porque cada prato típico carrega histórias, ingredientes e tradições que ajudam a compreender melhor a cultura de uma região e das pessoas que vivem nela.
Por isso, o turismo gastronômico cresce cada vez mais no Brasil. Feiras, mercados municipais, festivais culinários e restaurantes especializados permitem que visitantes conheçam receitas tradicionais diretamente com quem mantém esses saberes vivos.
Muito além de matar a fome, provar um acarajé em Salvador, degustar um queijo artesanal em Minas Gerais ou experimentar um tacacá em Belém significa vivenciar parte da história brasileira por meio da culinária.
Dos sabores intensos da Bahia às tradições amazônicas, passando pelas receitas mineiras e pelas bebidas típicas do Nordeste, a gastronomia brasileira é um convite para conhecer o país de uma maneira diferente.
Cada prato conta uma história, preserva uma tradição e fortalece a identidade de comunidades que mantêm vivas técnicas transmitidas ao longo de gerações.
Com o Clube Bancorbrás, você pode planejar viagens para descobrir novos destinos e viver experiências que vão muito além dos pontos turísticos! Afinal, conhecer um lugar também é sentar à mesa, experimentar seus sabores e levar na memória as histórias que cada receita tem para contar. Vem fazer parte da nossa comunidade de viajantes!



